Notícias

 

Dia da Medicina Tradicional Africana: Mensagem do Director Regional da OMS para África, Dr. Luis Gomes Sambo

Nações Unidas, 31 de Agosto de 2011 - Hoje, comemoramos o Nono Dia da Medicina Tradicional Africana, subordinado ao tema "Conservação das plantas medicinais: O Património de África". Calcula-se que mais de dois terços das espécies de plantas do mundo tenham um valor medicinal. Entre 25 a 50% dos medicamentos modernos são derivados de plantas. Alguns exemplos dignos de nota são a Artemisinina e a Quinina, ambos usados no tratamento do paludismo. A Organização Mundial da Saúde calcula que perto de 80% da população de países em vias de desenvolvimento dependa da medicina tradicional para as suas necessidades em termos de cuidados primários de saúde.

O tema da comemoração do Dia da Medicina Tradicional Africana deste ano sublinha a resolução da Assembleia Mundial da Saúde sobre as plantas medicinais; a Estratégia Regional sobre Medicina Tradicional; o Plano de Acção sobre a Década da Medicina Tradicional Africana (2001–2010) da Organização da Unidade Africana; e a Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica. A adopção e ratificação destes quadros políticos pelos países da Região posicionou a conservação e o uso racional e sustentável das plantas medicinais no domínio da saúde pública.

Os países da Região Africana estão a fazer progressos no cultivo e conservação das plantas medicinais. Treze países adoptaram políticas nacionais de conservação de plantas medicinais e as Orientações da OMS sobre Boas Práticas Agrícolas e de Colheita. Dezassete países estão a cultivar plantas medicinais, a diferentes graus de cultivo. Outros países cultivaram novas variedades de plantas medicinais, elaboraram inventários, incluindo a compilação de informação científica sobre medicina tradicional, e formularam orientações sobre a sua colheita e conservação.

A despeito dos progressos em muitos aspectos da medicina tradicional, os países vêem-se confrontados com desafios, como a depauperação de plantas medicinais raras devido à degradação ambiental, desflorestação, queimadas não controladas, pastoreio, más práticas agrícolas e o abate de árvores. Alguns destes desafios surgiram porque a maioria das plantas medicinais usadas para fins comerciais continua a ser obtida através de colheita desregrada. Além disso, muitos países da Região não possuem legislação necessária para uma conservação sustentável das plantas medicinais e mecanismos para a protecção das espécies de plantas medicinais ameaçadas.

Para atenuar estes desafios e consolidar as conquistas já obtidas, é preciso formular a implementar politicas nacionais abrangentes para a conservação das plantas medicinais. Recomenda-se o cultivo de plantas medicinais, incluindo o desenvolvimento de jardins botânicos; a criação de bases de dados abrangentes sobre as plantas medicinais existentes; e a protecção das espécies de plantas medicinais ameaçadas.

O sector privado precisa de ser incentivado a investir na investigação e na formação em medicina tradicional, assim como no cultivo e na conservação das plantas medicinais. A tradução da informação pertinente sobre medicina tradicional para as línguas locais melhora a compreensão sobre o valor das plantas medicinais por parte do público e contribui para o cultivo e a conservação das plantas medicinais.

Lanço um apelo às instituições académicas e de investigação para que façam uma compilação de inventários de plantas medicinais; realizem investigação pertinente para obter provas científicas sobre a segurança, a eficácia e a qualidade das plantas medicinais; e desenvolvam a capacidade dos recursos humanos neste domínio. Incentivo igualmente a compilação da informação científica sobre as espécies de plantas medicinais, com particular incidência nas plantas medicinais raras em África.

Que me seja permitido ainda aproveitar a oportunidade da comemoração do Nono Dia da Medicina Tradicional Africana para exortar os nossos parceiros a continuarem a apoiar os países na concepção e implementação dos seus programas, políticas e planos nacionais para a conservação das plantas medicinais.

Para salvarmos os recursos em matéria de plantas da Região Africana é necessária uma estratégia de conservação eficaz, sustentável e coordenada. Os desafios são grandes, pelo que temos todos de fazer o que pudermos para conservar as plantas medicinais, que são, no fundo, o nosso património africano.

Share |