Notícias

 

1,000 Dias de Acção

Começa hoje a contagem decrescente dos 1000 dias para o final de 2015, data estabelecida para o cumprimento dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM's). Foram registadas realizações históricas em 12 anos - imagine o que pode ser realizado em 15 anos.

Artigo asssinado por Ban Ki-moon, Secretario Geral da ONU

 

Mil dias para cumprir a promessa do Milénio

Uma viagem de mil milhas começa com um único passo, mas a partir desta semana podemos avançar mil dias em direcção a um novo futuro.

No dia 5 de Abril, o mundo vai chegar a um momento vital no maior e mais bem-sucedido esforço de combate à pobreza de toda a história: o marco dos 1.000 dias antes da data-limite para alcançar os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.

Estes oito objectivos concretos foram criados no ano de 2000, quando o maior número de líderes de sempre de se reuniu na sede das Nações Unidas e se pôs de acordo para reduzir pela metade a pobreza e a fome globais, combater as mudanças climáticas e as doenças, resolver o problema da água contaminada e saneamento, alargar o acesso à educação e abrir as portas das oportunidades para meninas e mulheres.

Não foi a primeira vez que os líderes fizeram promessas grandiosas. Os mais cépticos previam que os ODM viessem a ser abandonados por serem demasiado ambiciosos. Em vez disso, os Objectivos têm ajudado a definir prioridades globais e nacionais, mobilizar a acção e alcançar resultados notáveis.

Nos últimos 12 anos, 600 milhões de pessoas saíram da pobreza extrema, uma redução de 50 por cento. Um número recorde de crianças está na escola primária, sendo que o número de meninos e meninas matriculados é igual pela primeira vez. A mortalidade materna e infantil caiu. Os investimentos destinados à luta contra a malária, HIV/SIDA e tuberculose têm salvo milhões de vidas. Em África, nos últimos seis anos, conseguiu-se reduzir em um terço o número de mortes relacionadas à SIDA.

Há também objectivos e metas em que precisamos de fazer muitos mais progressos. Muitas mulheres ainda morrem durante o parto, quando temos os meios para salvá-las. Muitas comunidades ainda carecem de saneamento básico, o que faz da água contaminada uma ameaça mortal. Em muitas partes do mundo, quer em países ricos quer pobres, as desigualdades estão a crescer. Muitos ainda estão a ser deixados para trás.

Para agilizar o processo, a comunidade internacional deve dar agora quatro passos.

Primeiro, ampliar o sucesso através de investimentos estratégicos e orientados que tenham um efeito multiplicador, impulsionando resultados em todas as outras áreas: um milhão de agentes comunitários de saúde em África para servir áreas remotas e evitar que mães e crianças morram de doenças facilmente preveníveis ou tratáveis; aumentar a escala dos investimentos em saneamento básico; acesso universal aos serviços de saúde primários, incluindo cuidados obstétricos de emergência, e fornecimento adequado de medicamentos para tratar o HIV e a malária.

Garantir a igualdade de acesso das mulheres e raparigas à educação, cuidados de saúde, nutrição, e oportunidades económicas é um dos motores mais poderosos de progresso em todos os Objetivos.

Segundo, vamos centrar-nos os países mais pobres e vulneráveis, onde habitam cerca de 1,5 mil milhões de pessoas. Muitas vezes fustigados pela fome, conflitos, má governação e violência resultante do crime organizado em larga escala, esses países têm maiores dificuldades em fazer progressos apesar dos seus esforços. Muitos ainda não alcançaram um único ODM. Ao investir em regiões como o Sahel, o Corno de África, e a Ásia Central, podemos promover um círculo virtuoso de desenvolvimento económico, segurança humana e construção da paz.

Terceiro, devemos manter os compromissos financeiros. Os orçamentos não podem ser equilibrados às custas dos mais pobres e mais vulneráveis. É eticamente inaceitável e não vai ajudar nem doadores nem destinatários. Apesar de tempos austeros, muitos países têm sido exemplares em honrar as suas promessas. Novos doadores entre as economias emergentes também estão a avançar. Devemos aplaudir estes esforços e incentivar mais.

Em quarto lugar, o marco dos 1000 dias deve ser um apelo à acção para um movimento global desde os governos às organizações de base que têm sido tão decisivas para o sucesso. Devemos também aproveitar o poder da tecnologia e dos média sociais, oportunidades que não estavam disponíveis quando as Metas foram formuladas na viragem do século.

Os ODM têm provado que os objectivos de desenvolvimento globais convergentes podem fazer uma profunda diferença. Eles podem mobilizar, unir e inspirar. Eles podem desencadear inovação e mudar o mundo.

O sucesso alcançado nos próximos 1.000 dias não só irá melhorar a vida de milhões, mas irá também impor maior ritmo enquanto fazemos planos para o pós-2015 e para fazer face aos desafios do desenvolvimento sustentável.

Ainda há muito por fazer. Mas, enquanto contemplamos a próxima geração de objectivos de desenvolvimento sustentável, podemos encontrar inspiração profunda no facto de os ODM terem demonstrado que, com vontade política, é possível acabar com a pobreza extrema e que está ao nosso alcance.

Vamos aproveitar ao máximo os próximos 1.000 dias e cumprir a nossa promessa do Milénio.

Ban Ki-moon é o Secretário-Geral das Nações Unidas

Share |